Sid Carneiro
A Associação Brasileira de Televisões e Rádios Legislativas (ASTRAL) propôs a utilização de recursos remanescentes da Empresa Administradora da Digitalização (Seja Digital) para as emissoras legislativas. A iniciativa foi apresentada por meio de três ofícios, ao Grupo de Implantação da TV Digital (GIRED), MCIT e ANATEL, que tem a importante missão de definir sobre a aplicação dos eventuais saldos dos recursos públicos destinados à EAD. Neste sentido, a ASTRAL protocolizou ofícios 40/2018 para Juarez Quadros, Presidente da Anatel e também do GIRED e 41/2018 ao Ministro de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, Gilberto Kassab.
A Associação trabalha com a expectativa de ter sua proposta aprovada no próximo dia 30, quando as entidades voltam a debater o assunto. "Nosso ofício foi recebido e a proposta foi bem acolhida na primeira reunião. Foi uma discussão sobre o tema. Mas o GIRED deverá avaliar a proposta na reunião do dia 30. Na verdade, a ABRATEL achou muito boa nossa entrada, porque podemos dar um caráter mais de interesse público a uma proposta, que só beneficia empresas comerciais. Vamos ver no que dá, mas acho que nossa entrada nestes transmissores, se for aprovada a compra, acontecerá", afirmou Evelin Maciel, Vice-presidente da ASTRAL.
Nos três ofícios, a ASTRAL cumprimenta pelo sucesso do processo de desligamento do sinal analógico no Brasil, que acontecerá em breve. A Associação é testemunha do compromisso do governo para que todos os atores envolvidos no processo fossem contemplados com as melhores soluções e atendesse o interesse público.
A ASTRAL se uniu à demanda apresentada por ofícios das Associações dos Radiodifusores Comerciais, ABERT e ABRATEL, para que se altere a Portaria 3.045/2018, no sentido de que os recursos remanescentes sejam aplicados também na aquisição de transmissores digitais para os municípios, que hoje não contam com emissoras digitalizadas. A ASTRAL argumenta que, o projeto de abertura do sinal das emissoras legislativas, com a formação da Rede Legislativa de TV Digital é baseado na multiprogramação, já conta com 50 transmissores instalados e atinge mais de 300 municípios, proporcionando a oferta dos sinais gratuitos da TV Câmara, TV Senado, TV Assembleia e TV Câmara Municipal a mais de 50 milhões de brasileiros.
A ASTRAL ressalta ainda, que a alteração do cronograma do desligamento, também solicitada ao governo pelos radiodifusores comerciais, em 2015, culminou com a desvinculação do desligamento do sinal analógico da entrega da faixa de 700 MHz para as empresas de telecomunicações. Ainda conforme os ofícios, isso trouxe enorme prejuízo à Rede Legislativa, por tratar-se de uma rede exclusivamente digital. Onde não há radiodifusão comercial, não haverá radiodifusão legislativa, por falta de interesse da população em migrar seus televisores para o sistema digital sem que a totalidade das emissoras, lá operem. O argumento apresentado à época era de que a transmissão analógica continuaria até 2022, quando se finalizaria o processo natural de troca dos equipamentos e haveria economia ao desobrigar a EAD de distribuir conversores aos beneficiários do Bolsa Família nestas localidades.
O atual cenário, de novas possibilidades de uso de recursos remanescentes na aquisição de transmissores, conforme propõe ABERT e ABRATEL fez a ASTRAL apresentar também, a proposta que se inclua as emissoras legislativas acessíveis em cada Estado em cada transmissor eventualmente adquirido com recursos da EAD para operações compartilhadas de radiodifusão.
Nos municípios apontados pela ABERT e ABRATEL, cerca de três mil localidades em que não haverá transmissão digital no final deste ano, onde residem aproximadamente 25% da população brasileira, é justo pleitear que a destinação de subcanais em cada transmissor seja norteada pela complementariedade dos sistemas privado, público e estatal prevista no Art. 223 da Constituição.
A presença de entidades públicas e estatais na televisão digital é fundamental para a formação de uma sociedade mais informada e justa. É com a presença desses canais q a população, e nesse caso 25% dos brasileiros, poderão se informar de maneira isenta e sobre assuntos não abordados por emissoras comerciais, posicionou-se a ASTRAL.
"O posicionamento da ASTRAL é de fundamental importância para que os nossos associados possam entrar nessa fatia do saldo remanescente do desligamento dos canais analógicos. E foi bom o grupo GIRED avaliar de forma positiva, a nossa reivindicação", concluiu Wanderley.
54 emissoras participam da cobertura ao vivo, cuja transmissão deve durar cerca de, pelo menos, 12 horas
Associação mantém plataforma de compartilhamento de conteúdos de acesso gratuito pelas emissoras filiadas
Presidente da ASTRAL afirma que esse tipo de parceria está na essência da Associação